Leave No Trace – Caminhe e acampe em superfícies duráveis

Leave No Trace – Caminhe e acampe em superfícies duráveis

O Segundo Princípio do Leave No Trace fala sobre caminhar e acampar em superfícies duráveis. Seu objetivo é permitir o nosso deslocamento por áreas naturais, evitando danos à terra ou aos cursos de água durante a caminhada. Compreender como as caminhadas e acampamentos causam impactos no ambiente é fundamental para atingirmos esse objetivo. Os danos causados pelos caminhantes ocorrem quando a vegetação da superfície ou comunidades de organismos são pisoteadas e não podem ser recuperadas. A área estéril resultante desse impacto pode causar a erosão do solo e o desenvolvimento de trilhas secundárias indesejáveis, e isso pode acontecer tanto em trilhas estabelecidas quanto em áreas remotas sem trilhas.

E se você chegou aqui mas não sabe o que é o “Leave No Trace” (ou “Não Deixe Rastros“) vale a pena dar uma olhada no texto que explica a filosofia e os 7 princípios do Leave No Trace.

Princípio 2 – Caminhe e acampe em superfícies duráveis

Caminhando em trilhas demarcadas

Os órgãos de gestão criam as trilhas para fornecer rotas identificáveis ​​e concentrar ali o tráfego de caminhantes. As trilhas construídas são, elas próprias, um impacto na área; no entanto, elas são uma resposta necessária para lidar com o tráfego de pessoas que passam por aquelas áreas naturais.

Concentrar os caminhantes em trilhas demarcadas reduz a probabilidade de que várias trilhas paralelas se desenvolvam e deixem ainda mais marcas na paisagem local. É melhor ter uma rota de caminhada bem planejada do que muitos caminhos mal escolhidos. Por isso mesmo, caminhe sempre dentro da trilha demarcada e não utilize atalhos irregulares para evitar o zigue-zague das trilhas de montanha.

Ao fazer uma pausa durante a caminhada lembre-se sempre de deixar espaço na trilha para que outras pessoas possam passar. Se você precisar sair da trilha por algum motivo, mesmo que seja apenas para descansar, sempre pratique os princípios para caminhadas fora da trilha que iremos descrever a seguir. Além disso, evite gritar durante a caminhada ou ouvir música alta – ruídos que não pertencem ao ambiente não são bem-vindos em áreas naturais.

Leave no Trace - caminhe e acampe em superfícies duráveis

Caminhando fora da trilha

Todas caminhadas que não utilizam uma trilha demarcada, como expedições em áreas remotas, a busca por um local para o banheiro ou as explorações ao redor dos acampamentos, são definidas como “caminhadas fora da trilha”. Dois fatores principais definem o quanto uma caminhada fora da trilha impacta a área: a durabilidade das superfícies e da vegetação e a frequência das caminhadas (ou tamanho do grupo).

– A durabilidade se refere à capacidade das superfícies ou da vegetação de resistir ao desgaste ou permanecer em condições estáveis após a passagem dos caminhantes;

– A alta frequência de uso e os grupos maiores aumentam a probabilidade de uma grande área ser pisoteada ou de uma pequena área sofrer mais com um pisoteamento constante.

Durabilidade da Superfície

O conceito de durabilidade da superfície é importante e deve ser claro para qualquer caminhante. Cada tipo de superfície natural responde de maneira diferente ao tráfego das pessoas, veja:

Pedra, areia e cascalho: essas superfícies são altamente duráveis ​​e podem tolerar pisadas e atritos repetidos (no entanto, os liquens que crescem nas rochas são vulneráveis ​​ao pisoteamento constante).

Princípio 2 do Leave no Trace

Gelo e neve: o efeito da caminhada por essas superfícies é temporário, tornando-as boas escolhas como rota, porém os caminhantes devem conhecer e adotar as devidas precauções de segurança para caminhadas neste tipo de superfície. E o ideal é que a camada de neve tenha profundidade suficiente para evitar danos na vegetação oculta sob ela.

Vegetação: a resistência da vegetação ao pisoteio varia muito. Decisões cuidadosas devem ser tomadas ao caminhar pela vegetação. Selecione áreas de vegetação durável ou com vegetação esparsa onde você possa caminhar sem pisar nela. As gramíneas secas tendem a ser resistentes ao pisoteio. Prados úmidos ou outras vegetações frágeis mostram rapidamente os efeitos do pisoteio. O pisoteio constante de um caminho costuma fazer com que outras pessoas sigam a mesma rota pisoteada o que pode ocasionar a criação de trilhas paralelas que aumentam o impacto na área. Como regra geral, os viajantes que precisam sair da trilha devem se espalhar para evitar a criação de caminhos marcados que incentivem outros a seguir por ali. Evite pisar sobre vegetação sempre que possível, especialmente em encostas íngremes, onde os efeitos da caminhada fora da trilha podem ser ampliados.

Solo vivo: Também conhecido como crosta criptobiótica, é frequentemente encontrado em ambientes desérticos e é extremamente vulnerável ao tráfego de caminhantes. O solo vivo consiste em pequenas comunidades de organismos que aparecem como uma crosta escura e irregular sobre a areia. Esta crosta retém umidade em climas desérticos e fornece uma camada protetora, evitando a erosão. Um simples passo pode destruir este solo frágil. É muito importante usar as trilhas demarcadas em áreas com essas características. Caminhar por solo vivo só deve ser feito quando for absolutamente necessário. Em situações assim ande sobre pedras ou outras superfícies duráveis ​​se precisar sair da trilha. Em amplas áreas de solo vivo onde o dano é inevitável, é melhor seguir os passos uns dos outros para que a menor área da crosta seja afetada, exatamente a regra oposta daquela usada ao caminhar através da vegetação. O solo vivo também é extremamente vulnerável ao tráfego dos mountain bikers.

Poças no deserto e buracos de lama: a água é um recurso extremamente escasso para todas as coisas vivas no deserto. Não caminhe por poças no deserto, buracos de lama ou perturbe a água de superfície de maneira nenhuma. Além disso, os buracos também abrigam pequenos animais do deserto.

Acampe em superfícies duráveis

Selecionar um local de acampamento apropriado é talvez o aspecto mais importante para o baixo impacto em áreas remotas. Requer um maior grau de julgamento e informação. A decisão sobre onde acampar deve ser baseada em informações sobre o nível e tipo de uso na área, a fragilidade da vegetação e do solo, a probabilidade de perturbação da vida selvagem, uma avaliação dos impactos anteriores e o seu próprio potencial para causar ou evitar o impacto.

Escolha uma superfície durável para montar seu acampamento

Escolhendo um local para acampar em áreas muito usadas

Evite acampar perto de fontes de água e trilhas e, se for possível, selecione um local que não seja facilmente visível para outras pessoas. Em algumas áreas populares, a sensação de solidão pode ser aumentada examinando com mais cuidado os locais de acampamento e escolhendo um local afastado. Acampar a pelo menos 60 metros (cerca de 70 passos largos de um adulto) de distância da água é importante, ao fazer isso você não impede que a vida selvagem do local acesse a fonte de água.

Reserve algum tempo e energia no final do dia para selecionar um local apropriado para acampar, ainda que a sua caminhada tenha sido muito cansativa. Fadiga, mau tempo e chegar tarde ao acampamento não são desculpas aceitáveis ​​para montar seu acampamento em locais ruins ou frágeis. É melhor acampar em locais já estabelecidos, nestes locais o impacto já aconteceu, então basta ter cuidado e você não irá afetar a área ainda mais. Além disso, você pode procurar um local que naturalmente não tem vegetação, como áreas com rocha exposta ou terrenos arenosos.

Em locais com alto impacto, as barracas, caminhos e áreas de cozinha devem ser concentradas nas áreas já impactadas. O objetivo é limitar o impacto a locais que já apresentam uso e evitar o aumento da área impactada. Ao desmontar o seu acampamento certifique-se que deixou a área limpa e organizada, assim outros campistas poderão usufruir do local após a sua saída.

Acampar em áreas remotas não perturbadas

As áreas primitivas são geralmente remotas, recebem poucos visitantes e não apresentam impactos óbvios. Visite esses lugares especiais apenas se você estiver comprometido com as técnicas de mínimo impacto. Em lugares intocados, é melhor espalhar barracas, evitar rotas de tráfego repetitivo e mudar o local de acampamento todas as noites. O objetivo disto é minimizar o número de vezes que alguma parte do local é pisoteada. Ao montar o acampamento, posicione as barracas e a cozinha em superfícies duráveis. Grandes lajes de rocha, são bons locais para as cozinhas.

Observe por onde anda para evitar o pisoteamento da vegetação e use caminhos alternativos sempre que for pegar água. Use algum recipiente para armazenar a água e minimizar a necessidade de buscar água com frequência. Sempre verifique os regulamentos da área e lembre-se: acampar a pelo menos 60 metros de distância da água é uma regra básica que deve ser seguida sempre.

Acampar em áreas remotas requer atenção extra

Ao desmontar o acampamento, reserve um tempo para arrumar o local. Cobrir as áreas impactadas com materiais nativos (como folhas), cobrir suas pegadas e varrer áreas gramadas emaranhadas ajudará o local a se recuperar e o deixará sem a aparência de um local de camping. Esse esforço extra ajudará a esconder qualquer indicação de onde você acampou e diminuirá a probabilidade de outras pessoas acamparem no mesmo local. Quanto menos uma área específica é reutilizada maior é a chance dela se recuperar dos impactos.

Em terrenos mais áridos prefira acampar em superfícies duráveis, como rocha ou cascalho, ou em locais que já foram altamente impactados – locais assim são óbvios porque já perderam sua cobertura vegetal e estão visivelmente alterados. Ao escolher esse tipo de local, certifique-se de que o espaço seja grande o suficiente para acomodar todo o seu grupo.

Nas regiões áridas nunca acampe em solo vivo, nas ilhas de vegetação ou dentro das preciosas faixas verdes de riachos. Aliás, tenha muito cuidado ao acampar próximo dos rios ou em áreas suscetíveis a enchentes.

As áreas de cozinha, barracas e equipamentos devem ficar sobre um terreno de rocha, areia ou cascalho. Escolha conscientemente caminhos duráveis para conectar as partes de seu acampamento. Varie suas rotas dentro do acampamento, lembre-se que o objetivo é minimizar a quantidade de pisoteio e compactação do solo em qualquer parte específica do terreno. Limite a sua estadia a não mais do que duas noites. Nunca remova ou limpe locais cobertos com material orgânico, como folhas, e sempre minimize a remoção de pedras e cascalho. O material orgânico que cobre a área ajudará a amortecer o pisoteio, limitará a compactação do solo, liberará nutrientes para as plantas e reduzirá as forças erosivas da chuva. Além disso, não mexa, pise ou acampe em rochas cobertas por liquens.

©1999 by the Leave No Trace Center for Outdoor Ethics: www.LNT.org.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *